3.3.15

Sobre inspiração e Imogen Heap

No mês de fevereiro o blog foi silenciado, porque, por mais que o começo do ano traga expectativas de bons prospectos, projetos e conquistas de forma generalizada, a pessoa que nele escreve, na verdade, não se alterou em seu estado de espírito, nem se deixou afetar por essa atmosfera. Não vou entrar em detalhes, só preciso esclarecer que preferi não publicar nada, a publicar um post intitulado “Alguma coisa errada” contendo especulações sobre o que possa estar acontecendo comigo nessa “fase”.

Estou cansada de preencher a categoria “Dramas” com posts e deixar as outras desatualizadas. Ninguém gosta de ter esse tipo de pessoa por perto. Então decidi não ser essa pessoa. Só quem vai saber desse vazio sou eu. Dependo de estímulo e inspiração, e estes me faltaram por semanas. O que eu tinha de fazer era só buscar uma mudança, qualquer que fosse.

É engraçado como as coisas acontecem, é engraçado ter momentos de epifania. Eu gosto de ser surpreendida e reagir diferente a um detalhe que me cerca ou cruza a minha vista, e que poderia passar despercebido. Comigo aconteceu algum tempo atrás, quando eu estava na cama com o laptop no colo, vagando pela internet, fazendo não lembro o quê. Eu entrei no twitter por distração e vi que a Imogen Heap tinha compartilhado a sua entrada mais recente no blog. Por acaso parei para ler. Parei para ler o post da Imogen Heap, e fiquei surpresa com o quanto eu me senti aquecida com as suas palavras.

Se você não sabe quem ela é, e do que se trata, vou te fazer um pequeno resumo: Imogen Heap é uma cantora e compositora inglesa, vencedora de um Grammy por "Best Engineered Album, Non-Classical" em 2010, e que, entre vários gêneros, se encaixa no eletrônico, rock alternativo e synthpop. Ela lançou quatro álbuns – iMegaphone, Speak for Youserf (meu favorito), Ellipse e Sparks – e já contribuiu com várias trilhas sonoras, incluindo a de The OC e As Crônicas de Nárias: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa.

Talvez esses fatos continuem a te deixar no escuro quanto a sua figura. E se eu disser que ela co-produziu “Clean” com a Taylor Swift, e idealizou o projeto das MiMu Gloves, que Ariana Grande tem usado em sua tour? Pois é. Ela é ótima, apesar de não tão popular quanto as outras duas.

Outra coisa é que ela teve um bebê no final do ano passado; uma menina chamada Scout. E é basicamente destas duas coisas que a Immi fala em seu post: a novidade de ser mãe e seus projetos musicais em andamento. Nada aparentemente excepcional. Só que ela escreveu sobre isso de uma forma tão pessoal, tão só para compartilhar as novidades e o que tem passado por sua cabeça, que é quase como se ela tivesse a carteirinha de blogueira old-school. De repente eu me senti extremamente próxima a essa artista talentosa e admirada, que não se deixou contaminar pelo glamour da fama, mas pelo prazer da maternidade, e que trata seu trabalho como qualquer outro e o executa com maestria.

Quando eu terminei de ler o post da Immi, automaticamente me senti inspirada a me dedicar ao meu blog também, e comecei editando esse tema que estava no esboço havia muito tempo. Foi quando tive uma sensação de déjà vu, e lembrei que nos primórdios do dreams & dramas, meus layouts só saíam quando Imogen Heap era minha trilha sonora. Não sei quem além de mim lembraria que uma vez (em meados de 2011, acho) eu até coloquei um verso de sua música na sidebar - "Say goodnight and go". Acabei não fugindo muito do modelo base de propósito, e como também não tenho o dom em combinar cores e imagens, mantive, mais ou menos, a minha paleta padrão. A imagem de topo foi cortesia da Thay, e eu achei muito amor, porque eu queria mesmo algo relacionado a uma máquina de escrever, mas eu mesma fui incapaz de conceber algo (obrigada!).

Quanto à essência do blog, os textos, ainda não sei como vou fazer. Immi me inspirou a me abrir às banalidades sensíveis do cotidiano, mas confesso que perdi a prática. Tenho alguns projetos e desafios na lista, os quais espero que me ajudem nesse aspecto.

Enfim, eu confesso que, apesar da idolatria demonstrada, não escuto suas músicas com frequência. A diferença com os outros artistas que ouço é que quando o faço, fico realmente envolvida pelas letras e as melodias. É difícil admitir o quanto eu sonho acordada escutando "Goodnight and Go" e o quanto essa música me faz sentir tímida pelo que diz, mesmo sem ter ninguém em particular para dedicar o refrão. E eu rodopio pelo quarto, porque não tem ninguém assistindo mesmo. Num momento de silêncio e dúvida, já me flagrei murmurando para mim mesma trechos de Hide and Seek, e Telemiscommunications ainda me intriga.

Encerro o post com o vídeo da música que foi citada aqui duas vezes, deixando claro que essa não é a última vez que a postarei. As palavras saíram tortas, mas o sentimento é genuíno. Estou de volta, algo mais importa?


Why d'ya have to be so cute?
It's impossible to ignore you
Must you make me laugh so much
It's bad enough we get along so well
Say goodnight and go.

13.1.15

Balanço literário de 2014

Olá. Este é primeiro post do ano. Na verdade, eu pretendia tê-lo postado logo após o Ano Novo, mas, sabem como é, deu preguiça. E depois de protelar por nada menos do que dez dias, cá estamos. Como vocês passaram a virada? Eu passei bem, obrigada.

Indo direto ao assunto, 2014 acabou – aleluia! –, mas ainda tenho uma pendência em relação ao ano: fazer um pequeno balanço das minhas leituras só para não passar em branco. Acho que todos dizem isso, mas eu leio bem menos do que gostaria. Minha média é ler 30 livros por ano, e mais uma vez eu a cumpri. Fico admirada quando vejo que algumas pessoas passam facilmente da marca dos 100, mas eu encaro o fato de que o meu ritmo de leitura é diferente para não dizer lerdo, bem como as minhas escolhas e minha rotina. Para o bem ou para o mal, tudo isso influi então eu sempre tento me contentar com o que consigo atingir.

Nunca me impus metas, pois se eu o fizesse não daria certo (a autossabotagem que eu mencionei no post anterior se aplicaria nesse caso também, infelizmente). E outro motivo é que eu não me atrevo a colocar o mínimo de pressão em algo que eu faço puramente por prazer. Sabe-se lá como será o desenrolar dos eventos ao longo do ano, né? Se acontecesse algo que me impedisse de cumprir minha meta literária, eu ficaria no mínimo chateada. Logo, prefiro considerar que qualquer livro que termine de ler é um lucro.

Sem mais delongas, vamos à lista (esta eu vi no tumblr da Jana, que por sua vez, viu na página do Skoob):

1) O melhor livro que li este ano: A Princesa Leal, de Philippa Gregory. Não fazia muito tempo desde que eu tomei conhecimento do nome da autora quando decidi ler um de seus romances. A Princesa Leal é o primeiro livro da Série Tudor, e conta a história de Catarina de Aragão, desde a infância como Infanta da Espanha até seu reinado como Rainha da Inglaterra. O livro baseia-se em fatos reais, porém mistura-se muito bem com a ficção proveniente de especulações e da imaginação da autora. Gregory é historiadora e especializada escrever em romances históricos ingleses. É dela os romances que deram origem ao filme A Outra (também da Série Tudor) e à minissérie The White Queen, produzido pela BBC. Como sou um tanto entusiasta de romances históricos, decidi priorizar a leitura de um livro da Philippa Gregory naquele ano, e não me arrependi. A construção da narrativa é muito bem feita e instigante. Só fico chateada por muitos dos seus livros estarem esgotados aqui no Brasil, comprometendo a leitura na sequência cronológica, como eu gostaria de fazer.

2) Surpreendeu positivamente: A trilogia 1Q84, de Haruki Murakami. Murakami era outro nome que conhecia por alto, antes de a minha chefe mencionar que estava lendo um livro dele e contar brevemente do que se tratava a história. Eu me interessei de imediato, considerando que conhecia muito pouco da literatura japonesa, e já confiando na notoriedade do autor. Comprei a trilogia numa promoção da Submarino e não demorou muito para eu me encontrar absorta no universo paralelo de 1Q84, onde no céu há duas luas, e um romance misterioso escrito por uma enigmática menina de 17 anos, Eriko Fukada (aka Fukaeri), é menos fictício do que aparenta. Alternando os pontos de vista dos dois personagens principais, Tengo e Aomame, vemos as duas histórias se entrecruzarem aos poucos, e os mistérios envolvendo o tal romance, um povo chamado Povo Pequenino e uma comuna religiosa no mínimo suspeita, aos poucos vão sendo esclarecidos para fazer os eventos se encaixarem.

3) Surpreendeu negativamente: A trilogia A Seleção, de Kiera Cass. Eu lembro que quando fui à Bienal de 2012, peguei um livreto no estande da Companhia das Letras contendo amostras de livros a serem publicados pelo selo Seguinte, e entre essas amostras estava o primeiro capítulo de A Seleção. Atraída pela capa e pela leitura leve, eu o acrescentei à minha lista de futuras leituras. Mas, somente esse ano realizei minha vontade. Isso após testemunhar certa agitação em blogs e redes sociais em relação ao livro. Eu peguei A Seleção para ler querendo gostar do livro, acredite. Então imagine a minha decepção após terminar de ler a última frase de A Escolha com a sensação de a trilogia que não atendeu às minhas expectativas que nem eram altas. Encontrei falhas na construção da história mesmo sem estar procurando-as, e achei que Kiera Cass poderia tê-la desenvolvido melhor, especialmente no segundo livro. Não consegui largar os livros até terminá-los, o que foi uma vantagem, mas me faltou aquela sensação de satisfação pela leitura. Fiquei decepcionada com o livro, e fiquei decepcionada com a minha própria decepção.

4) Abandonei, mas vou dar uma chance: Em toda a minha vida literária, eu só abandonei um livro, que foi Viagens na Minha Terra, em 2013. Esse ano, quase fui vencida por The Adventures of Huckleberry Finn. Quase. Eu comprei uma edição em inglês do livro em 2013 e este ficou parado na estante por um ano até eu resolver dar uma chance. O conhecimento prévio que eu tinha de Huckleberry Finn era muito pouco. Eu sabia que havia sido escrito por Mark Twain (que bom, né) e que era relacionado com The Adventures of Tom Sawyer – eu só não sabia que Huck Finn era posterior a Tom Sawyer – e também que foi referenciado no piloto de Gilmore Girls. Eu não imaginava que o livro era tão regionalista. E eu tenho sérios problemas com regionalismo. Tanto que não vou nem começar a descrever minha experiência com José Lins do Rego como exemplo. Enredo à parte, eu também não imaginava que o dialeto dos personagens do livro seria um obstáculo tão grande durante a leitura. Reconheci que eu ainda não tenho fluência em ler em inglês com tantas variações linguísticas, e pretendo estudar um pouco antes de reler Huckleberry Finn. Porque sim, eu pretendo fazê-lo. Só não sei quando.

5) Leitura boa, mas difícil: O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. A leitura ao todo não foi difícil, só a encaixei nessa categoria por falta de opções, e por ter realmente penado para ler dois capítulos específicos. Não menosprezem os dois capítulos em questão, pois eles eram cruciais para a história. Trata-se daqueles que Victor Hugo reserva para fazer uma descrição minuciosa (bem minuciosa mesmo) de Paris daquela época e da Catedral de Notre Dame. Importantes, longos, e para mim, enfadonhos.

6) Chorei de soluçar: Nenhum? Teve uma parte em Little Women que foi de partir o coração, mas eu não cheguei a soluçar. Só derramei algumas lágrimas, no máximo.

7) Divertido: Claros Sinais de Loucura, de Karen Harrington. Uma vez que eu notei a existência de Claros Sinais de Loucura, fiquei interessada no livro sem nenhuma razão em especial. Aparentava ser singelo com sua capa simples e fofinha, e talvez isso tenha me atraído. Então bastou eu cruzar com uma única resenha expressando uma opinião positiva, para eu sair da próxima visita à livraria com o meu próprio volume. Devorei Claros Sinais de Loucura rapidinho. Sarah Nelson é uma protagonista como jamais vi. Mas, na verdade, o livro é bem agridoce – tem tanto partes divertidas (como a história dos dois diários e das cartas e as conversas com a Planta), quanto partes mais sensíveis, que mostram a vulnerabilidade de Sarah por causa da ausência da mãe. O tom da narrativa é certo em cada um desses momentos. Acho que é certo dizer que nos altos e baixos, eu me diverti com o modo como Sarah pensa, com o seu hábito de ficar em pé em cima de um toco de árvore em frente à casa e procurar em si mesma sinais que está ficando louca. É uma leitura recomendada.

8) Próxima leitura: Por enquanto, estou lendo Jane Eyre em um livro que contém três romances das irmãs Brontë. Ainda não sei se, quando terminá-lo, sigo para reler Wuthering Heights ou alterno com outro livro. Thoughts? Ali em cima eu disse que os livros da Philippa Gregory são difíceis de achar, certo? Coincidentemente, fui à livraria hoje e ao perguntar, por acaso, se eles tinham a sequência – A Irmã de Ana Bolena – recebi uma resposta afirmativa. Felicidade instantânea! Minha próxima leitura foi escolhida. Depois eu volto para Emily Brontë. ;)

9) Quero ler, mas ainda não tenho: Anna Karenina, de Liev Tolstói. Não sei porque escolhi Anna Karenina como o livro que vai me introduzir à literatura russa, o fato é que uma vez cismada, não tem jeito. O único motivo de eu não tê-lo adquirido até agora é que eu quero a edição da Cosac Naify especificamente. E não sei se vocês sabem, mas os livros dessa editora não são baratos. Tenho apenas esperado o momento certo, porque acredito que valha muito o investimento. For all I know, eles fazem um ótimo trabalho para oferecer um livro que contém mais do que o romance em si.

10) Convide 5 amigos para responder. Eu adoraria indicar algumas pessoas para fazerem esse balanço literário, mas a questão é: quase fechando a primeira quinzena de janeiro, quem, além de mim, ainda não resolveu seus balanços do ano passado? Eu não me recordo de ninguém no momento, mas se você está na mesma situação que eu, sinta-se convidado por mim.

Eu gostaria de escrever um último parágrafo especulando as minhas leituras de 2015, mas sinto que extrapolei a quantidade de palavras (mais de 1.500, e contando) para um único post. Numa outra ocasião, então. Feliz Ano Novo para quem estou me dirigindo pela primeira vez, e boas leituras!