22.10.14

Tag: Know you Blogger

Estamos aqui, ladies and gentlemen, dissipando a atmosfera dramática e indecisa deste blog com mais uma tag baseada em perguntas e respostas indicado pela linda da Thay. Ao ler a proposta, senti uma sensação de déjà vu e agora sei que já respondi a algo similar antes. Porém, isso faz tempo, e gosto da ideia de repetir a dose só para saber o que mudou na minha maneira de responder. As regras são simples: devo contar 11 fatos sobre mim, responder 11 perguntas criadas por quem me indicou, criar mais 11 perguntas e indicar para 11 pessoas (regra a qual, já adianto, vou quebrar). Shall we?

11 fatos sobre mim

1. Não sei riscar fósforo;
2. Se deixar, sou capaz de dormir mais de 12h;
3. Não gosto muito de pizza;
4. Até os 16 anos eu era melhor em espanhol, mas depois aperfeiçoei o inglês e hoje em dia não lembro nem o básico do outro idioma;
5. Grumpy cat é o meu animal de espírito;
6. Não consigo dormir sem edredom (ou qualquer camada mais pesadinha), não importa a estação;
7. Owl City é meu antídoto para os dias ruins;
8. Fiz natação por oito anos, fui sedentária por nove, e há dois meses faço pilates;
9. Tenho medo de Furby;
10. Sonho em preencher mais um diário, visitar um campo de morangos, voar de balão, abraçar um coala e fazer um mochilão pela Europa;
11. Aprendi a tocar flauta doce quando criança, mas queria mesmo era ter aprendido a tocar piano.

11 perguntas da Thay

1. Qual foi a última música que você escutou? Coloque o vídeo!
“Are you having fun yet? I’ll send you the sunset I love the most when I’m Tokyo”. Sweet, cheerful, dreamy, Owl City. ♥


2. Se tivesse que escolher apenas um prato para comer o resto da vida, o que seria?
No meio dos fatos acima eu disse que não gosto muito de pizza, mas minha cozinha favorita é a italiana. Simplesmente amo massas! Meu prato favorito é lasanha, e se for a lasanha da tia, é mais amor ainda. Só tenho um problema com queijo: qualquer comida que leve queijo na receita eu procuro consumir em quantidade mínima para não ficar enjoada. Daí surge a minha falta de atração por pizza, e a minha hesitação em comer só lasanha para todo o sempre. Então eu vou optar por ravióli, que há dois anos tem sido o meu almoço especial de aniversário. Com molho de tomate, por favor!

3. Quais os livros que mais ama e mais detesta?
Falando de títulos, serei repetitiva ao dizer que tenho um amor enorme por A Mulher do Viajante no Tempo, de Audrey Niffenegger, e Emma, de Jane Austen. Esses sempre serão destaques na lista de livros memoráveis que inclui alguns outros, por isso cito-os como exemplos. Para representar os que eu mais detesto, posso mencionar Fallen, que foi uma tremenda decepção, dada a expectativa que eu tinha do livro na época de lançamento. E esses são livros selecionados apenas entre os que eu li, porque, eu confesso: às vezes, acontece de eu sentir aquela simpatia ou antipatia gratuita só fazendo o reconhecimento do autor, do título ou - vamos admitir - da capa. No geral, gosto de livros cuja história tenha sua própria característica e que esta seja marcante, e se conectem comigo de alguma forma, independente de me fazer sentir borboletas no estômago ou chorar como um bebê no ônibus. E viro a cara para livros que são mais do mesmo ou têm personagens femininas estereotipadas e/ou submissas.

4. Uma palavra que te defina.
Oversensitive.

5. Sente saudades de que?
De ter um bichinho de estimação para me fazer companhia e testemunhar as minhas loucuras. Noite passada, sonhei que meu cachorro tinha feito xixi no meu tapete, e acordei meio feliz, sabe.

6. Não consegue viver sem.
Minhas pessoas favoritas, dias de chuva e solitude, acesso à internet, livros, protetores labial e solar, meus DVDs de Gilmore Girls, e um pouquinho de amor e atenção.

7. Conte qual foi o momento mais constrangedor da sua vida – e com detalhes!
Enfim, chegou a pergunta que eu estava evitando. Depois de vasculhar os cantos do meu cérebro onde provavelmente todos os meus momentos constrangedores estão armazenados, para não dizer enterrados, acho que escolhi trazer à tona um acontecimento que vai transmitir com destreza o sentido mais profundo de constrangimento. Para isso, preciso que vocês visualizem o ano de 2006, e uma Yuu ainda não desenvolvida. Pois bem. Tudo começou no fatídico mês de março quando eu tive a minha menarca. Era fim de tarde, e eu estava cuidando da minha vida, quando senti uma dorzinha na barriga, e pronto, o desastre aconteceu. Lembro que aquele dia pareceu o fim do mundo para mim, que com 12 anos ainda me sentia bem criança e fui pega de surpresa para a mudança que me rotularia como uma "mocinha". Impedi minha mãe de pegar o telefone e sair contando para a família toda, e lembro que brigamos, porque eu achava que usar absorvente me faria andar igual a um pato e denunciaria a minha condição. De fato, foi esquisito andar naquela semana, e eu achava que não podia ficar pior. Mas ficou, esperem. Os meses seguintes continuaram sendo adaptativos para mim; eu tentava me acostumar com a ideia, embora me sentisse constrangida o tempo todo. E, sinto muito entrar nesse detalhe, mas no primeiro ano o meu fluxo era bem intenso. "Tudo bem, é um sinal de saúde", minha mãe dizia, sendo positiva. Eu, ao contrário, estava crente ter sido vítima de uma maldição impiedosa. As cinco horas que eu passava na escola era a pior parte. Sempre que eu tinha uma chance discreta, ia ao banheiro só para prevenir. Exceto um dia, no final da aula de... matemática? Estou chutando, porque não lembro. Só lembro que eu estava começando a me sentir desconfortável e precisava sair dali, mas estávamos no meio de uma explicação e eu não quis interromper para não chamar atenção. Lembre-se que dentro de mim reinava um nervosismo constante e inocente. Fiquei imóvel pela meia hora de aula restante, e quando o sinal tocou, eu levantei aliviada. Eis que minha amiga pergunta: "Por que tem uma mancha na sua cadeira?". Fim do mundo, parte dois. Meu sangue congelou por um segundo, antes de o meu corpo começar a agir. Empurrei a cadeira para baixo da mesa, puxei o braço da supracitada amiga e desci as escadas numa velocidade recorde rumo à liberdade da rua. Minha saia era azul-marinho, então isso não me preocupava. Minha casa não era longe, isso não me preocupava também. Minha amiga continuou me perguntando o que estava acontecendo (a desgraça ainda não tinha chegado para ela), e isso me preocupou. "O que você acha?! Continue andando". Cheguei em casa e fiquei no chuveiro por bastante tempo. E só depois eu aprendi que isso é uma parte tão natural da mulher, que eu deveria tratar com mais maturidade do que vergonha. E atualmente mantenho um sistema de controle invejável. “Vivendo e aprendendo”, não é o dito?

8. Filme que você assiste 39 vezes seguidas e nunca se cansa.
Para ser sincera, eu não consigo literalmente assistir a um filme 39 vezes seguidas, rs. Entretanto, sempre faço intervalos entre os períodos de vícios de dois filmes em especial: O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) e O clube de leitura de Jane Austen (2007). São os longas para os quais recorro toda vez que quero preencher horas tediosas ou renovar energias. São tão levinhos que jamais me cansam. E o primeiro, inclusive, foi base de inspiração para o blog em seus primórdios, e como lembrete disso eu nunca troco meu avatar. “São tempos difíceis para os sonhadores”.

9. Vampiros ou lobisomens?
Dada a inserção de um gif de Supernatural na pergunta, desconfio que exista um contexto em que a possível resposta faça sentido. A um nível simples de interpretação, prefiro vampiros.

10. Escolheria amor ou dinheiro?
Amor, sem sombra de dúvidas. A vida já fez questão de me mostrar o quanto o amor, em sua forma mais pura, é valioso e raro de se encontrar. E eu acredito que tendo amor você tem incentivo para alcançar as demais coisas nessa vida, inclusive o dinheiro.

11. Se tivesse direito a apenas uma viagem na vida, para onde iria?
Bem, esse é o tipo de pergunta que me deixa na indecisão, porque apesar de eu ter um desejo enorme de visitar o Reino Unido, também gostaria de ir ao Japão conhecer melhor o outro lado da história. Se realmente não existisse um jeito de contornar essa condição, eu provavelmente jogaria uma moeda para decidir, com melhor de três, porque é assim que eu faço.

11 perguntas minhas

1. O que você fez hoje?
2. Tem algum trauma de infância?
3. Em quem ou o que você se inspira?
4. Qual é sua estação do ano favorita, e por quê?
5. Qual foi seu primeiro pensamento ao acordar e o último antes de ir dormir?
6. O que você deseja para o seu futuro?
7. O que você faz, ou para onde vai, quando está triste? 
8. Em qual situação você se sente diferente dos demais?
9. Existe que você colecione, compre ou consuma com frequência?
10. Uma doença que você já teve, e uma que você tem medo de desenvolver.
11. Cite um livro (ou autor), duas músicas e três filmes que façam parte da sua vida.

*Criatividade, onde estás?*

11 indicados

Sou impopular on e offline e não conheço 11 pessoas que possam ter interesse em responder essa tag. Só vou indicar, portanto, a Maíra e o Nicolas caso que eles queiram responder. E se você tiver vontade de participar também, considere-se indicado(a) por mim, ok? Espero que tenham gostado!

16.10.14

O Captain! My Captain!

Que Walt Whitman nos perdoe por ter desvirtuado a metáfora de seu poema sobre a morte de Abraham Lincoln em 1865; mas depois de este ter sido referenciado em A Sociedade dos Poetas Mortos, não há quem não queira subir numa cadeira para bradar o orgulho e o agradecimento aos seus mestres com esse verso. Quatro palavras contidas de uma distinta sonoridade que representam bem tudo o que podemos dizer aos nossos professores.

Tudo bem que dia 15 de outubro foi ontem, e como sempre, demorei a me manisfestar sobre o assunto. Não sei justificar minha constante relutância, talvez eu goste de fazer as coisas sem alardes diante da minha timidez e da minha preocupação com o trato das palavras. Que a verdade seja dita, não sei congratular as pessoas em datas especiais utilizando os votos mais comuns; de prosperidade a condolências, todos me deixam sem graça. Dizem que tenho tendência a pensar demais correndo o risco de falar de menos, e eu concordo. Mas, seria um ultraje deixar a data passar em branco, dada a relação que eu tive com meus professores a minha vida inteira.

Se eu tivesse de narrar a minha história, daria ênfase ao fato de que minhas tias são pedagogas e me cercaram com livros desde que eu era criança. Se eu apresentei facilidade em aprender quando pus meus pés na escola pela primeira vez, devo dar créditos, em primeiro lugar, a elas. No primeiro dia de aula, a propósito, quando eu estava chorando por não querer ficar, as tias tiveram toda a paciência do mundo para me fazer soltar a minha mãe e me levar para a sala de aula. Não sei se é invenção do meu cérebro, mas acho que lembro a primeira vez em que reconheci as vogais "o" e "i" formando "oi". Oi pra você, mundo escolar, que a mim se tornou receptivo por estar muito bem orientado. Nunca deixei de levar broncas quando era necessário, tive estrelinhas no caderno a cada lição de casa feita e conferida sdds estrelinhas de incentivo, minhas notas sempre foram justas e minha mãe só precisou ser chamada na escola quando eu me machucava feio no colégio. Os outros alunos e eu, nós negociávamos as melhorias no nosso comportamento ali na sala sem complicações. E a vantagem disso tudo? Confiança.

Em mais de uma década de ensino formal, cada ano tinha suas dificuldades. A gente cresce e os problemas não se limitam apenas às disciplinas que eram ensinadas. A tal da visão de mundo se expande e até a compreensão que a gente tinha do mundo até agora, pode sofrer aquele desequilíbrio. E, mais uma vez, tive sorte, porque os meus professores, todos eles, nunca me deixaram na mão quando eu precisei de uma referência que ia além da matéria dada.

São pouquíssimos os professores cujo o nome tenho dificuldades de lembrar, procuro guardar pelo menos uma boa memória da maioria, e alguns sem esforços foram gravados no meu coração, porque eu vivo à base de modelos e estou aberta a quem quiser me ajudar a tornar alguém melhor do que eu sou hoje. E por que você está falando tudo isso agora, Yuu? Reconhecimento nunca é demais. Desde a faculdade eu tive mais e mais certeza de quem escolhe transmitir conhecimento deve fazê-lo com amor pelo que faz, especialmente em tempos de desvalorização. Eu acho irônico e até mesmo indigno eu portar um diploma de licenciatura sendo que sei que não tenho aptidão para assumir tal responsabilidade. E também não entendo a dificuldade de tanta gente entender que quando dizem que educação é a base, é porque realmente é.

Eu tenho uma gratidão imensa por todos os meus professores do Rita de Cássia, do Santa Cecília, da Unisantos e da Cultura Inglesa. Por terem contribuído com a minha educação, por terem tirado as minhas dúvidas depois da aula, por terem aberto portas, por terem me aconselhado e até suportado os meus dias mais difíceis. Meu pai só me disse isto uma vez quando eu era criança: "Na escola você deve respeitar sua professora tanto quanto você respeita o papai e a mamãe em casa". Levei para a vida e nada deu errado.