11.3.15

Let’s try emotional correctness

O meu hobby mais recente foi ter começado a assistir/ouvir TED Talks quase todo fim de semana. Eu escolho duas ou três conferências, às vezes mais, e passo uma hora do meu domingo abrindo a mente para novas ideias. Porque é disso que o TED se trata, afinal. Várias pessoas ao redor do mundo são convidadas a apresentar a um público suas diferentes ideias e/ou projetos. E o que eu acho mais fascinante nesses vídeos é que justamente por se tratarem de ideias, você não precisa concordar com todas e considerar aplicá-las na vida, pois o simples ato de ouvir o que eles têm a dizer pode expandir sua perspectiva sobre algo que você não conhecia e a partir daí pode também tecer sua própria opinião sobre o assunto, de acordo com o seus valores e contextos. Mas muitas vezes dá sim para se identificar com o que convidado apresenta, e sentir vontade de espalhar a palavra por aí, por ser o que você queria dizer, mas ainda não havia posto em palavras.

É o meu caso com a conferência da Sally Kohn, que fala sobre as pessoas não terem o tato de serem emocionalmente corretas em seus discursos políticos:

“Ser emocionalmente correto tem a ver com o tom, com o sentimento, com a forma como dizemos o que dizemos, com o respeito e a compaixão que mostramos uns aos outros. O que eu percebi é que a persuasão política não começa com ideias, fatos ou dados. A persuasão política começa com ser emocionalmente correto.”

Minha última semana foi estressante por diversos motivos. E meu humor não melhorava em nada quando eu chegava a algum lugar em que as pessoas ao redor estavam conversando sobre a presidente (com “e” mesmo, porque insisto na palavra ser comum de dois gêneros), o partido e o governo. Conversando não, desculpe. Criticando acidamente. Cuspindo as palavras. Desejando o mal para o próprio país, que “ferrou com as eleições mesmo”.

Eu não me sinto bem quando estou exposta a discussões políticas desse tipo, porque certa vez, antes ou entre o primeiro e o segundo turnos, eu estava indo para a coffee break durante o trabalho quando a minha chefe veio até mim e disse que “precisava me instruir politicamente”, como se eu fosse desinteressada ou como se minha visão política não fosse adequada ao que ela acreditava ser certo. Isso porque eu pouco tinha me manifestado sobre isso no escritório. Tentei argumentar algumas vezes, porém o discurso e o tom de voz de duas pessoas contra o meu sozinho me reprimiu. Senti que só faltaram me encostar na parede e prender meu pescoço com uma forquilha, enquanto criticavam o PT e colocavam a culpa nos nordestinos e dependentes de Bolsa Família. De verdade, acho que ninguém merece ser subjugado dessa maneira.

Mas esse post não é sobre posições políticas. É sobre a veiculação delas. Todos somos parciais a um lado, e isso é natural, dado os diferentes contextos a qual cada um de nós pertence. Só não estamos sabendo discutir isso com racionalidade e eficácia. Além do tom agressivo que as pessoas têm usado, o embasamento dos argumentos não são melhores: “Eu vi essa notícia que fulano compartilhou no Facebook....”, “Saiu na Veja que...”. Tem horas que eu sinto que vou desmaiar, porque além de as pessoas não entenderem de fato o quadro político em seus vários níveis, acreditam e disseminam qualquer coisa que leem. Primeiro, o Facebook não é fonte para nada. Segundo, o jornalismo não é imparcial tampouco. Cada mídia tem sua própria ideologia, e vai transmitir as notícias de acordo com seus interesses. De maneira ou de outra há manipulação. A faculdade de Letras pode não oferecer os salários mais altos, mas uma coisa valiosa que aprendemos é analisar um texto e questionar aquilo que lemos, principalmente o que está nas entrelinhas.

Engana-se quem acha que eu não me interesso sobre o assunto, por não me manifestar sobre ele. Eu admito que não faz tempo desde que eu percebi que não conhecia muito sobre política como deveria, e estou correndo atrás agora. Parte desse correr atrás é debater com outras pessoas, saber o que elas consideram e ter meus pontos considerados também. Meu conhecimento está em formação, e eu ficaria agradecida se alguém se dispusesse a me ajudar a desfazer minha ignorância. Pode vir, pode chegar. Me mande um e-mail, um tweet. Sejamos construtivos. Eu acredito que é possível. precisaríamos induzir grande parte da população a se corrigir emocionalmente. A esperança é a última que morre, certo? Em contraste com o bom senso, que é o primeiro.

“Porque ninguém pode concordar contigo, sem sequer te ouvirem primeiro. Nós passamos tanto tempo falando por cima dos outros e não tenho tempo suficiente para discutir sobre nossas divergências, e se pudermos começar a ter compaixão uns pelos outros, teremos uma chance de construir uma base comum.”


A conferência tem 6 minutos e legendas em português, vale a pena assistir.

3.3.15

Sobre inspiração e Imogen Heap

No mês de fevereiro o blog foi silenciado, porque, por mais que o começo do ano traga expectativas de bons prospectos, projetos e conquistas de forma generalizada, a pessoa que nele escreve, na verdade, não se alterou em seu estado de espírito, nem se deixou afetar por essa atmosfera. Não vou entrar em detalhes, só preciso esclarecer que preferi não publicar nada, a publicar um post intitulado “Alguma coisa errada” contendo especulações sobre o que possa estar acontecendo comigo nessa “fase”.

Estou cansada de preencher a categoria “Dramas” com posts e deixar as outras desatualizadas. Ninguém gosta de ter esse tipo de pessoa por perto. Então decidi não ser essa pessoa. Só quem vai saber desse vazio sou eu. Dependo de estímulo e inspiração, e estes me faltaram por semanas. O que eu tinha de fazer era só buscar uma mudança, qualquer que fosse.

É engraçado como as coisas acontecem, é engraçado ter momentos de epifania. Eu gosto de ser surpreendida e reagir diferente a um detalhe que me cerca ou cruza a minha vista, e que poderia passar despercebido. Comigo aconteceu algum tempo atrás, quando eu estava na cama com o laptop no colo, vagando pela internet, fazendo não lembro o quê. Eu entrei no twitter por distração e vi que a Imogen Heap tinha compartilhado a sua entrada mais recente no blog. Por acaso parei para ler. Parei para ler o post da Imogen Heap, e fiquei surpresa com o quanto eu me senti aquecida com as suas palavras.

Se você não sabe quem ela é, e do que se trata, vou te fazer um pequeno resumo: Imogen Heap é uma cantora e compositora inglesa, vencedora de um Grammy por "Best Engineered Album, Non-Classical" em 2010, e que, entre vários gêneros, se encaixa no eletrônico, rock alternativo e synthpop. Ela lançou quatro álbuns – iMegaphone, Speak for Youserf (meu favorito), Ellipse e Sparks – e já contribuiu com várias trilhas sonoras, incluindo a de The OC e As Crônicas de Nárias: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa.

Talvez esses fatos continuem a te deixar no escuro quanto a sua figura. E se eu disser que ela co-produziu “Clean” com a Taylor Swift, e idealizou o projeto das MiMu Gloves, que Ariana Grande tem usado em sua tour? Pois é. Ela é ótima, apesar de não tão popular quanto as outras duas.

Outra coisa é que ela teve um bebê no final do ano passado; uma menina chamada Scout. E é basicamente destas duas coisas que a Immi fala em seu post: a novidade de ser mãe e seus projetos musicais em andamento. Nada aparentemente excepcional. Só que ela escreveu sobre isso de uma forma tão pessoal, tão só para compartilhar as novidades e o que tem passado por sua cabeça, que é quase como se ela tivesse a carteirinha de blogueira old-school. De repente eu me senti extremamente próxima a essa artista talentosa e admirada, que não se deixou contaminar pelo glamour da fama, mas pelo prazer da maternidade, e que trata seu trabalho como qualquer outro e o executa com maestria.

Quando eu terminei de ler o post da Immi, automaticamente me senti inspirada a me dedicar ao meu blog também, e comecei editando esse tema que estava no esboço havia muito tempo. Foi quando tive uma sensação de déjà vu, e lembrei que nos primórdios do dreams & dramas, meus layouts só saíam quando Imogen Heap era minha trilha sonora. Não sei quem além de mim lembraria que uma vez (em meados de 2011, acho) eu até coloquei um verso de sua música na sidebar - "Say goodnight and go". Acabei não fugindo muito do modelo base de propósito, e como também não tenho o dom em combinar cores e imagens, mantive, mais ou menos, a minha paleta padrão. A imagem de topo foi cortesia da Thay, e eu achei muito amor, porque eu queria mesmo algo relacionado a uma máquina de escrever, mas eu mesma fui incapaz de conceber algo (obrigada!).

Quanto à essência do blog, os textos, ainda não sei como vou fazer. Immi me inspirou a me abrir às banalidades sensíveis do cotidiano, mas confesso que perdi a prática. Tenho alguns projetos e desafios na lista, os quais espero que me ajudem nesse aspecto.

Enfim, eu confesso que, apesar da idolatria demonstrada, não escuto suas músicas com frequência. A diferença com os outros artistas que ouço é que quando o faço, fico realmente envolvida pelas letras e as melodias. É difícil admitir o quanto eu sonho acordada escutando "Goodnight and Go" e o quanto essa música me faz sentir tímida pelo que diz, mesmo sem ter ninguém em particular para dedicar o refrão. E eu rodopio pelo quarto, porque não tem ninguém assistindo mesmo. Num momento de silêncio e dúvida, já me flagrei murmurando para mim mesma trechos de Hide and Seek, e Telemiscommunications ainda me intriga.

Encerro o post com o vídeo da música que foi citada aqui duas vezes, deixando claro que essa não é a última vez que a postarei. As palavras saíram tortas, mas o sentimento é genuíno. Estou de volta, algo mais importa?