17.11.14

One Lovely Blog Award

Como sempre, no intervalo entre um post e outro a inspiração some e eu fico sem saber o que postar no blog para não deixá-lo abandonado. Eu juro que gostaria de ser mais ativa, postar o que der na telha, mas acabo não tendo esse ímpeto. Algum tempo atrás, a Thay me indicou ao One Lovely Blog Award, cuja proposta não poderia ser mais simples: responder à 11 perguntas relacionadas ao blog e à blogueira. Fazia tempo que eu não pensava no histórico do blog, por isso, me entretive escrevendo as respostas e relembrando as minhas motivações. Shall we?

1. Por que decidiu criar um blog e quando começou?
Decidi criar um blog porque eu gosto de escrever. Desde pequena sempre me estimularam a escrever em diários, e os livrinhos infantis que eu lia, e posteriormente, os mangás, instigavam minha imaginação. Sempre fui muito equilibrada quanto ao registro de fatos de aconteciam no meu dia a dia e de histórias que eu mesma inventava. Inicialmente, tudo ficava guardado nos diários, nos cadernos que eu ganhava para desenhar e expor esse "lado artístico", ou na parte interna das contracapas dos supracitados livros infantis. Mas, junto com o primeiro computador, que eu ganhei por volta dos 12 anos, veio a curiosidade em descobrir o mundo virtual. Numa dessas revistas teen populares da minha época tinha um artigo sobre blogs, e eu me perguntei: por que não? Pedi ajuda a uma amiga, e meu primeiro blog foi criado na extinta plataforma Weblogger, com um nome bem genérico. O template era do Tomoeda.net. De lá para cá, abandonei e criei e abandonei de novo vários blogs. Mas a temática era sempre a mesma: ou eu falava do meu cotidiano, bem no estilo diário mesmo, ou de animes, que era o meu antigo vício.

2. Quais benefícios o blog te traz?
Ser a minha válvula de escape, basicamente. Eu não sou uma pessoa muito eloquente na vida real, pois me acostumei a ficar em silêncio e não me sinto muito à vontade conversando com as pessoas. Eu tropeço nas palavras com mais frequência do que gostaria. Então, quando quero refletir ou expôr meus gostos ou idiossincrasias, eu recorro à escrita, e escrevo, reescrevo e reconstruo no meu próprio ritmo. Consequentemente, benefícios materiais estão longe da minha realidade, e está tudo muito bem.

3. Qual é o post mais acessado?
Hm, creio que meu post mais acessado é um meme – “Tagged Post”, a primeira versão do meme que eu fiz recentemente – com 149 visualizações. Mas eu, pessoalmente, gosto mais do segundo colocado, “Independência e individualismo”, com nove visualizações a menos. A diferença entre os dois, é que o primeiro foi mais dinâmico, e diferente em estilo, extensão e abrangência se você comparar com as minhas respostas recentes; e o segundo foi uma observação que eu fiz, e ainda sinto a mesma coisa em relação a ela.

4. Você usa as redes sociais?
Uso sim, mas não para divulgar o blog. Uma vez até criei uma página no facebook para tentar divulgar o blog e ampliá-lo quanto ao lado social, mas não vingou. Não sei definir muito bem os motivos da falta de sucesso. Pode ter sido a minha falta de jeito ou de disposição de lidar com tal rede social, a qual só mantenho pelo contato com os conhecidos offline. Eu uso na maior parte do tempo o twitter e o instagram. :)

5. Como o blog tem evoluído?
Calma e inconscientemente, creio eu. Por se tratar de um blog pessoal, a maneira como eu me sinto acaba refletindo aqui. Se eu tenho altos e baixos na vida, a frequência dos posts pode aumentar ou eu posso simplesmente deixar o blog à mercê do abandono, o que pode não ser saudável em termos de audiência, mas pelo menos eu mantenho o conteúdo genuíno e em desenvolvimento junto comigo, se isso faz sentido.

6. Já viveu algum fato importante por causa do blog?
Eu gostaria de dizer que um fato importante foi a evolução da minha escrita, todavia, tenho dúvidas. Posso dizer então, e com certeza absoluta (se me permitem usar, propositalmente, essa redundância), que conheci muitas pessoas legais por causa do blog, e formei algumas amizades queridas. Fico feliz ao lembrar que no comecinho do blog eu não esperava retorno algum, e hoje estou no lucro por tais pessoas terem aparecido na minha vida, e a partir de um simples comentário. ♥

7. De onde nasce a inspiração para escrever e continuar com o blog?
Do que vem de fora e do que vem de dentro. A referência do meu blog é tudo o que eu observo, o que eu sinto e o que eu gosto. Não sei trabalhar com temáticas definidas neste hobby, portanto faço uma mistura de reflexões baratas, alguns compartilhamentos de livros ou séries que me chamaram a atenção, e outros textos soltos sobre qualquer coisa. Admito que não é sempre que fico satisfeita com o resultado, e muitas vezes considerei não continuar com o blog. Nos altos e baixos da vida, às vezes falta vontade, às vezes a gente quer mudar o rumo. Mas, com base na minha experiência, tenho certeza de que acabaria voltando, então eu faço assim: registro tudo o que passa por mim, inclusive as incertezas, dou sentido ao título, e faço do blog um registro verossímil da vida, ou parte dela.

8. O que você tem aprendido a nível pessoal e profissional esse ano?
A nível pessoal tenho tentado aprender sobre os meus próprios mecanismos, como, por exemplo, o meu humor, meu perfeccionismo, minhas crises de ansiedade e a mania de me martirizar por não poder atender à todos. O que acaba se estendendo ao aprendizado a nível profissional também. Sei que ainda preciso amadurecer consideravelmente para lidar com o ambiente de trabalho. Saber conciliar a minha produtividade, relacionamento interno, e principalmente, meus objetivos. Está na hora de dar prosseguimento aos estudos, avançar na vida, e eu preciso de coragem e estabilidade para dar o próximo passo.

9. Qual é sua frase favorita?
Não queria ser repetitiva, mas:

Les temps sont durs pour les revêurs. (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001)

Se eu tivesse coragem para tatuar uma frase, essa seria uma grande candidata. (Apesar de que, na verdade, eu tenho uma coleção de frases favoritas. De livros, de filmes, de séries. Uma se aplica melhor do que as outras dependendo do contexto. No entanto, como vi as pessoas optando por frases mais inspiradoras, decidi compartilhar minha frase mais inspiradora também. Não que eu não ache que “Oy with the poodles already” falte com filosofia, mas como eu disse: é uma questão de contexto.)

10. Qual conselho você daria para quem está começando agora no mundo do blogs?
Não sou a melhor pessoa para dar conselhos nesse ramo, mas eu diria para os novos blogueiros serem espontâneos ao criarem seus blogs, e escreverem com o coração. Acho que a atividade se torna muito mais prazerosa quando o gosto por ela está acima da ambição.

11. O que os blogs que você vai indicar tem em comum?
Mais uma vez, eu não sei quem posso indicar. Quando eu geralmente respondo à uma tag ou coisas do tipo, grande parte da blogosfera a qual eu tenho contato já o fez. No entanto, se isso é novidade para ti, considerem-se indicados por mim, e se responderem, avisem-me nos comentários, porque eu gostaria de ler suas respostas também.

5.11.14

Archived

Às vezes, retenho na memória algumas falas soltas de diálogos. Não existe critério, acontece automaticamente e parece irrelevante de início, mas quando menos espero, eu começo a pensar nas tais falas e o sentido aparece.

Uma vez abri o Facebook na casa de uma amiga e na minha caixa havia uma nova mensagem. Não me lembro de quem era, nem do que se tratava, lembro ser algo simples que não requereria muito esforço, portanto, resolvi respondê-la naquela hora. Só que assim como qualquer outra pessoa, eu tenho certos costumes nas redes sociais, como por exemplo, eu não uso (muito) as janelinhas na parte inferior, prefiro acessar diretamente a página de mensagens e ter uma melhor visualização da conversa. Fiz isso, e eis que minha amiga repara na limpeza da barra lateral, onde, supostamente, aparecem as pessoas com quem conversei recentemente - não havia mais do que três. Ela estranhou a falta de registros, e perguntou por que eu não os guardava, como, sei lá, provas.

Dei de ombros. Eu não sabia responder, porque nunca parara para pensar nisso. Eu poderia dizer que já faz algum tempo que adotei o minimalismo como estilo de vida, e decidi que em questão de organização menos é mais. Mesmo nas redes sociais, eu não deveria me apegar a mensagens que não diziam muita coisa, independente do remetente ser alguém importante.

Eu não faço ideia de como as outras pessoas administram as suas caixas, mas eu faço o seguinte: quando eu inicio uma conversa, deixo fluir até onde der, e depois existem dois destinos: 1) Se eu perceber que a conversa não terá continuação, ela é excluída; 2) Se eu perceber que é só questão de tempo até uma notificação aparecer, ela é arquivada (geralmente limito o “silêncio” a dois dias).

Então, dia desses, eu fui resgatar uma conversa na minha pasta de arquivadas, e percebi quantas conversas mortas havia lá. Não tenho espelhos por perto, porém não precisei de um para perceber que mudei de expressão. Não sei se vão me entender, mas foi como encontrar uma caixa de lembranças, de um passado não tão distante, acumulando pó em cima do guarda-roupa. E tal qual a caixa de memórias, as conversas mortas do Facebook também me despertaram uma onda de sentimentos, e entre eles, destaco a nostalgia.

Passando de uma em uma, por alto me lembrei dos motivos de terem parado ali: um elogio inesperado ao blog e aos textos que escrevo, boas notícias da época da faculdade, links que me enviaram e eu não queria perder, mensagens de aniversário, e conversas que foram só conversas, que valem pelo todo, que marcaram outros tempos, se é que me entende.

Não foi uma vez ou duas que deixei de fazer outras coisas, possivelmente mais importantes, para atentar à página aberta, esperando a resposta para minha resposta. Talvez eu esteja sendo boba por atribuir valor a algo tão trivial. De modo prático, tudo não passa de um amontoado de palavras visíveis apenas numa tela de computador. Dizem por aí que o uso de redes sociais tem nos distanciado cada vez mais. Então como, em tantas vezes, eu me senti tão próxima de algumas pessoas quando tudo que eu via eram seus avatares? E eu lia as suas frases, reagia a elas e pronto. Acho que analisar os prós e contras do meio é de menos, quando o relacionamento, qualquer que seja, vinga. Existe alguém por trás disso tudo. Esse é o detalhe o qual eu me atenho e me faz escrever.

Eu poderia dissertar linhas sobre as referidas memórias e sentimentos provenientes dessas conversas. Todavia, dada as atuais circunstâncias, percebo a estranheza de um registro de conversa na internet se chamar “histórico”, considerando que, de fato, fizeram parte da minha história, e alguns foram relevantes o suficiente para me moldar. Só lamento terem ficado no passado, e é isso. Confesso que eu tenho ponderado a possibilidade de reestabelecer alguma coisa, mas fico com receio de descobrir (ou confirmar) que esse vinho virou vinagre.

Eu disse que tenho tendência a pensar demais, certo? Já faz algum tempo que estou me espremendo para fazer esse texto sair. Não sei se consegui transmitir tudo o que apontei no momento em que a inspiração bateu.

Isso porque eu só tenho Facebook. Imagine se eu tivesse WhatsApp.