13.1.15

Balanço literário de 2014

Olá. Este é primeiro post do ano. Na verdade, eu pretendia tê-lo postado logo após o Ano Novo, mas, sabem como é, deu preguiça. E depois de protelar por nada menos do que dez dias, cá estamos. Como vocês passaram a virada? Eu passei bem, obrigada.

Indo direto ao assunto, 2014 acabou – aleluia! –, mas ainda tenho uma pendência em relação ao ano: fazer um pequeno balanço das minhas leituras só para não passar em branco. Acho que todos dizem isso, mas eu leio bem menos do que gostaria. Minha média é ler 30 livros por ano, e mais uma vez eu a cumpri. Fico admirada quando vejo que algumas pessoas passam facilmente da marca dos 100, mas eu encaro o fato de que o meu ritmo de leitura é diferente para não dizer lerdo, bem como as minhas escolhas e minha rotina. Para o bem ou para o mal, tudo isso influi então eu sempre tento me contentar com o que consigo atingir.

Nunca me impus metas, pois se eu o fizesse não daria certo (a autossabotagem que eu mencionei no post anterior se aplicaria nesse caso também, infelizmente). E outro motivo é que eu não me atrevo a colocar o mínimo de pressão em algo que eu faço puramente por prazer. Sabe-se lá como será o desenrolar dos eventos ao longo do ano, né? Se acontecesse algo que me impedisse de cumprir minha meta literária, eu ficaria no mínimo chateada. Logo, prefiro considerar que qualquer livro que termine de ler é um lucro.

Sem mais delongas, vamos à lista (esta eu vi no tumblr da Jana, que por sua vez, viu na página do Skoob):

1) O melhor livro que li este ano: A Princesa Leal, de Philippa Gregory. Não fazia muito tempo desde que eu tomei conhecimento do nome da autora quando decidi ler um de seus romances. A Princesa Leal é o primeiro livro da Série Tudor, e conta a história de Catarina de Aragão, desde a infância como Infanta da Espanha até seu reinado como Rainha da Inglaterra. O livro baseia-se em fatos reais, porém mistura-se muito bem com a ficção proveniente de especulações e da imaginação da autora. Gregory é historiadora e especializada escrever em romances históricos ingleses. É dela os romances que deram origem ao filme A Outra (também da Série Tudor) e à minissérie The White Queen, produzido pela BBC. Como sou um tanto entusiasta de romances históricos, decidi priorizar a leitura de um livro da Philippa Gregory naquele ano, e não me arrependi. A construção da narrativa é muito bem feita e instigante. Só fico chateada por muitos dos seus livros estarem esgotados aqui no Brasil, comprometendo a leitura na sequência cronológica, como eu gostaria de fazer.

2) Surpreendeu positivamente: A trilogia 1Q84, de Haruki Murakami. Murakami era outro nome que conhecia por alto, antes de a minha chefe mencionar que estava lendo um livro dele e contar brevemente do que se tratava a história. Eu me interessei de imediato, considerando que conhecia muito pouco da literatura japonesa, e já confiando na notoriedade do autor. Comprei a trilogia numa promoção da Submarino e não demorou muito para eu me encontrar absorta no universo paralelo de 1Q84, onde no céu há duas luas, e um romance misterioso escrito por uma enigmática menina de 17 anos, Eriko Fukada (aka Fukaeri), é menos fictício do que aparenta. Alternando os pontos de vista dos dois personagens principais, Tengo e Aomame, vemos as duas histórias se entrecruzarem aos poucos, e os mistérios envolvendo o tal romance, um povo chamado Povo Pequenino e uma comuna religiosa no mínimo suspeita, aos poucos vão sendo esclarecidos para fazer os eventos se encaixarem.

3) Surpreendeu negativamente: A trilogia A Seleção, de Kiera Cass. Eu lembro que quando fui à Bienal de 2012, peguei um livreto no estande da Companhia das Letras contendo amostras de livros a serem publicados pelo selo Seguinte, e entre essas amostras estava o primeiro capítulo de A Seleção. Atraída pela capa e pela leitura leve, eu o acrescentei à minha lista de futuras leituras. Mas, somente esse ano realizei minha vontade. Isso após testemunhar certa agitação em blogs e redes sociais em relação ao livro. Eu peguei A Seleção para ler querendo gostar do livro, acredite. Então imagine a minha decepção após terminar de ler a última frase de A Escolha com a sensação de a trilogia que não atendeu às minhas expectativas que nem eram altas. Encontrei falhas na construção da história mesmo sem estar procurando-as, e achei que Kiera Cass poderia tê-la desenvolvido melhor, especialmente no segundo livro. Não consegui largar os livros até terminá-los, o que foi uma vantagem, mas me faltou aquela sensação de satisfação pela leitura. Fiquei decepcionada com o livro, e fiquei decepcionada com a minha própria decepção.

4) Abandonei, mas vou dar uma chance: Em toda a minha vida literária, eu só abandonei um livro, que foi Viagens na Minha Terra, em 2013. Esse ano, quase fui vencida por The Adventures of Huckleberry Finn. Quase. Eu comprei uma edição em inglês do livro em 2013 e este ficou parado na estante por um ano até eu resolver dar uma chance. O conhecimento prévio que eu tinha de Huckleberry Finn era muito pouco. Eu sabia que havia sido escrito por Mark Twain (que bom, né) e que era relacionado com The Adventures of Tom Sawyer – eu só não sabia que Huck Finn era posterior a Tom Sawyer – e também que foi referenciado no piloto de Gilmore Girls. Eu não imaginava que o livro era tão regionalista. E eu tenho sérios problemas com regionalismo. Tanto que não vou nem começar a descrever minha experiência com José Lins do Rego como exemplo. Enredo à parte, eu também não imaginava que o dialeto dos personagens do livro seria um obstáculo tão grande durante a leitura. Reconheci que eu ainda não tenho fluência em ler em inglês com tantas variações linguísticas, e pretendo estudar um pouco antes de reler Huckleberry Finn. Porque sim, eu pretendo fazê-lo. Só não sei quando.

5) Leitura boa, mas difícil: O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. A leitura ao todo não foi difícil, só a encaixei nessa categoria por falta de opções, e por ter realmente penado para ler dois capítulos específicos. Não menosprezem os dois capítulos em questão, pois eles eram cruciais para a história. Trata-se daqueles que Victor Hugo reserva para fazer uma descrição minuciosa (bem minuciosa mesmo) de Paris daquela época e da Catedral de Notre Dame. Importantes, longos, e para mim, enfadonhos.

6) Chorei de soluçar: Nenhum? Teve uma parte em Little Women que foi de partir o coração, mas eu não cheguei a soluçar. Só derramei algumas lágrimas, no máximo.

7) Divertido: Claros Sinais de Loucura, de Karen Harrington. Uma vez que eu notei a existência de Claros Sinais de Loucura, fiquei interessada no livro sem nenhuma razão em especial. Aparentava ser singelo com sua capa simples e fofinha, e talvez isso tenha me atraído. Então bastou eu cruzar com uma única resenha expressando uma opinião positiva, para eu sair da próxima visita à livraria com o meu próprio volume. Devorei Claros Sinais de Loucura rapidinho. Sarah Nelson é uma protagonista como jamais vi. Mas, na verdade, o livro é bem agridoce – tem tanto partes divertidas (como a história dos dois diários e das cartas e as conversas com a Planta), quanto partes mais sensíveis, que mostram a vulnerabilidade de Sarah por causa da ausência da mãe. O tom da narrativa é certo em cada um desses momentos. Acho que é certo dizer que nos altos e baixos, eu me diverti com o modo como Sarah pensa, com o seu hábito de ficar em pé em cima de um toco de árvore em frente à casa e procurar em si mesma sinais que está ficando louca. É uma leitura recomendada.

8) Próxima leitura: Por enquanto, estou lendo Jane Eyre em um livro que contém três romances das irmãs Brontë. Ainda não sei se, quando terminá-lo, sigo para reler Wuthering Heights ou alterno com outro livro. Thoughts? Ali em cima eu disse que os livros da Philippa Gregory são difíceis de achar, certo? Coincidentemente, fui à livraria hoje e ao perguntar, por acaso, se eles tinham a sequência – A Irmã de Ana Bolena – recebi uma resposta afirmativa. Felicidade instantânea! Minha próxima leitura foi escolhida. Depois eu volto para Emily Brontë. ;)

9) Quero ler, mas ainda não tenho: Anna Karenina, de Liev Tolstói. Não sei porque escolhi Anna Karenina como o livro que vai me introduzir à literatura russa, o fato é que uma vez cismada, não tem jeito. O único motivo de eu não tê-lo adquirido até agora é que eu quero a edição da Cosac Naify especificamente. E não sei se vocês sabem, mas os livros dessa editora não são baratos. Tenho apenas esperado o momento certo, porque acredito que valha muito o investimento. For all I know, eles fazem um ótimo trabalho para oferecer um livro que contém mais do que o romance em si.

10) Convide 5 amigos para responder. Eu adoraria indicar algumas pessoas para fazerem esse balanço literário, mas a questão é: quase fechando a primeira quinzena de janeiro, quem, além de mim, ainda não resolveu seus balanços do ano passado? Eu não me recordo de ninguém no momento, mas se você está na mesma situação que eu, sinta-se convidado por mim.

Eu gostaria de escrever um último parágrafo especulando as minhas leituras de 2015, mas sinto que extrapolei a quantidade de palavras (mais de 1.500, e contando) para um único post. Numa outra ocasião, então. Feliz Ano Novo para quem estou me dirigindo pela primeira vez, e boas leituras!

31.12.14

Os “R” de fim de ano: retrospectiva & resoluções

Passa de meia-noite agora, falta um dia para o fim de 2014. Acredito que muitos estejam comemorando, porque, por tudo o que aconteceu, o ano deu o que tinha que dar e estamos sedentos por um recomeço (embora puramente abstrato, não é?). Alguns eventos grandiosos, de envolvimento nacional, foram intensos por si só. Imagino o que cada um passou no seu mundo particular para complementar tudo isso.

Desculpe se te enganei pelo título, mas a verdade é que não gosto de fazer retrospectivas. Estou aqui para refletir esse fato [de não gostar de fazer retrospectivas], e inclusive acho que para você, leitor, seria irrelevante a leitura dos acontecimentos da minha vida em itens só para confirmar a monotonia que são os meus dias. Esse ano não foi grande coisa, mesmo para mim. Terminei a faculdade, e tirei o ano para me livrar de toda a tensão acumulada nos anos anteriores; para entrar nos eixos; e para descobrir qual é o meu próximo passo. Trabalhei e continuei estudando, mesmo que com uma carga horária menor e muitas vezes por conta própria. Só tratei de não perder minha motivação, para a minha vida não ir por água abaixo. Basicamente isso. Eu poderia, sim, fazer um balanço dos meus melhores e piores momentos, rever o que posso considerar como melhorias pessoais, mas, dado o meu atual estado de espírito, prefiro não olhar para trás agora. Tenho um pequeno e informal registro de cada dia do ano (a maioria deles, pelo menos) e posso revirá-los depois, quando sentir que é o momento certo para fazê-lo. Só tenho certeza de que estou sendo lapidada pelas experiências. No que eu não lidei muito bem no ano passado, lidei melhor esse ano. E no que eu não lidei muito bem esse ano, espero que eu lide melhor no ano que vem. Assim espero.

E apesar de eu não gostar de fazer minha própria retrospectiva, gosto muito de ler a dos outros. Quem sabe um dia eu aprenda a fazer com quem sabe.

Sobre as resoluções, bem, no final de 2013 eu decidi que pararia de formulá-las, porque eu tenho sérios problemas em seguir resoluções e metas. É como se existisse um mecanismo de autossabotagem em mim, que me faz desviar dos meus objetivos por mais simples que sejam, basta eles estarem escritos em algum lugar e oficializados na lista de resoluções. Naquele ano em questão, por exemplo, estabeleci metas simples como enviar 13 cartas em 2013, e provar todos os sabores do sorvete Diletto. Cumpri? Claro que não. De segunda a sexta tive oportunidades de descer do ônibus na volta do trabalho e passar no mercadinho para comprar os benditos sorvetes. Mas, sempre que isso me passava pela cabeça, eu acabava desistindo, porque nunca, naqueles momentos, eu estava com vontade de tomar sorvete. Também não escrevi as 13 cartas em 2013. Se cheguei a cinco, foi muito. E olha que eu adoro me corresponder por epístolas. Como eu disse, pura autossabotagem.

Lembro que em 2009 ou 2010 ainda, eu estava determinada a entrar na academia, a fim de sair da vida sedentária por meio de séries de exercícios que aumentassem a minha disposição física. Essa meta foi sendo transferida para os três anos seguintes, até se tornar motivo de piada e eu desistir de uma vez. Só em agosto desse ano que eu me matriculei em um estúdio de pilates, finalmente cumprindo uma antiga promessa. Acredito que, nesse caso, o problema poderia estar na modalidade que eu escolhera, já que eu nunca me imaginei numa academia. Demorou (e muito), mas conheci o pilates e me encontrei lá. E o mais curioso é que não tinha pré-estabelecido que faria isso esse ano, talvez foi por isso que aconteceu.

Tornei-me supersticiosa. Por mais que eu me divirta listando minhas resoluções de Ano Novo, agora penso que é prudente não formulá-las, só para que eu tenha a chance de alcançar alguma coisa no próximo ano. Para não me privar totalmente do prazer de escrever alguma resolução, fiz uma lista de um item, sem compromisso:

Resolução para 2015:
* Cultivar uma orquídea.

Um parêntese: Sou péssima com plantas. Há uns dois ou três anos, minha mãe ganhou de Natal um vaso de orquídea que morreu aos poucos. Depois de as flores terem caído e não florescido mais, percebi que aquela haste verde não teria futuro. Ainda assim, minha mãe é apegada a suas plantas e regou aquela muda até onde pôde, sem querer desfazer-se dela. Hoje temos um vaso morto de orquídea na área de serviço. Nunca havia dado muita atenção a ele, foi de repente que a planta passou a cruzar a minha mente toda vez que passo em frente a uma floricultura. Então decidi que eu vou tentar. Talvez a minha cisma com a orquídea seja um sinal de que algo de bom vai acontecer se eu conseguir mantê-la viva. Se não, pelo menos vou ter uma flor bonita em casa.

É tudo que posso fazer. Se eu não resistir à tentação, vocês verão uma lista completa aparecer de qualquer jeito no meu listography. Enquanto isso, eu me apoio nas expectativas. Posso estar me autossabotando de novo, mas estou, nesse momento, pensando no que eu espero em todos os departamentos da minha vida: família, amigos, estudos, leituras. Inicialmente, isso vai ser conteúdo para o meu diário.

Quanto ao blog, o que quero é dar mais atenção a ele, ter a confiança de depositar nele mais das minhas idiossincrasias. Gostaria de estabelecer uma relação mais constante com os meus leitores e vencer minha introversão virtual (tudo tem limites, certo? Certo). Tenho alguns projetos em vista que talvez me ajudem a exercitar a minha desenvoltura nesse sentido.


Tudo bem, nem sempre parece que o tempo voa. Mas, veja só, a música foi lançada em 2008 prevendo 2010, e cá estamos em 2015.

P.S: Decidi usar um vestido branco esse ano, depois de anos usando preto. Branco costumava me dar azar, era bem do contra.