1 de julho de 2015

Sobre Junho

Vocês lembram que eu comecei o meu último texto pedindo que junho fosse bom comigo por ser o meu mês favorito? Então, no final das contas ele acabou saindo melhor do que esperado. Apesar das todas as expectativas criadas e da sensação de rotina latente, eu tive pontos altos e baixos, mas não me decepcionei.

Esse texto seria, originalmente, um post sobre o meu aniversário, que foi na semana passada, e todas as reflexões que se instauram na minha cabeça conforme essa data se aproxima, como de praxe, todos os anos. Até então, eu havia dedicado os meus dias às atividades da checklist que eu fiz logo no começo e às necessidades veterinárias dos meus gatos. Nada demais. Eu tento ignorar a proximidade do meu aniversário com muito afinco, por não ter tido muitas energias e memórias boas dessa data nos últimos anos. É difícil celebrar a vida quando se está de mal consigo. Esse ano tinha todo o potencial para ser assim também, porque, dois dias antes do dia 24, minha mãe teve problemas de saúde e meu pai estava de mau humor. Fico feliz por, àquela altura, ter me conformado que o dia seria como os outros.

De qualquer forma, enquanto fazia companhia à minha mãe em sua recuperação, me autoanalisei um pouquinho só para ver se chegava a alguma conclusão sobre as mudanças que eu sofri desde o ano passado e ter sobre o que escrever esse ano.

Comecei percebendo que o destralhamento que eu planejei para o mês foi só um reflexo do destralhamento que eu fui obrigada a fazer no âmbito emocional da minha vida. Ano passado eu me deixei chatear demais por coisas que estavam fora do meu controle, a vida de pessoas com quem eu me importo e o desenvolvimento da minha própria maturidade sobre os objetivos que eu queria alcançar. Foi desastroso. Mas, dizem os memes por aí, que se 2014 foi o ano de fazer papel de trouxa, 2015 é o ano em que eu não sou obrigada. E eu incorporei isso. Se meu índice de consumismo aumentou, se eu não estou me importando mais quando não retornam as minhas ligações, se eu decidi ir contra os tabus da minha família conservadora e procurar ajuda, é porque eu não sou obrigada a me conter e me submeter a coisas as quais eu posso controlar se vão me afetar ou não. E eu só tomei o primeiro passo dessa realização.

Além disso, em relação à questão idade/conquistas, preciso me conformar também que, apesar de já estar na casa dos vinte, eu não tenho perspectivas de um relacionamento estável, imóvel próprio e um cargo digno de cartões de visitas personalizado anytime soon. E é melhor para mim mesma não começar a usar a matemática para não me deprimir, porque vou jogar a responsabilidade desses assuntos nas mãos do destino (e de um bom timing) mesmo. E não adianta me comparar aos outros, sejam lá quem forem esses outros. Eu sei que tem gente que já rodou o mundo aos 17, por exemplo, e eu ainda não cruzei as fronteiras do país aos 22, mas não posso menosprezar todas as oportunidades que eu tive em virtude desta em particular, por que seja difícil, por causa dos anseios que são grandes. E por último, eu decidi que não vou ter pressa em correr para a pós-graduação devido aos meus problemas de ansiedade. Percebi que no momento tenho outras prioridades, e eu quero passar por esse tipo de experiência com mais maturidade e menos surtos o possível.

Enfim, acho que estou mais segura de mim do que no passado, mesmo que eu oscile de vez em quando, e isso é bom. Quando chegou o dia do meu aniversário de fato, eu percebi que menos é mais nesse caso também. Não quis fazer alarde e só chamei minhas três melhores amigas para comerem bolo comigo e os meus pais. Esse ano não tive tempo de enrolar brigadeiros e foi tudo encomendado, mas enchi bexigas brancas e azuis para deixar soltas no chão do meu quarto, porque tenho um fascínio infantil por bexigas até hoje. Azul foi a cor tema do ano, pois como a Marina canta em seu novo álbum: I don’t wanna feel blue anymore. (sem contar que azul é uma cor linda). A noite acabou sendo muito boa, apesar de as conversas só ecoarem num ambiente e o resto da casa estar naquele silêncio mórbido. Eu estava com pessoas essenciais na minha vida, quantidade não é nada perto disso. Surpresa, surpresa.

Pela primeira vez em anos eu me senti bem soprando as velinhas. A sensação perdurou no dia seguinte, quando comi pastel de feira e bolo no café da manhã e à noite dei voltas de carro com a minha melhor amiga e os amigos dela, que agora acredito serem meus amigos também. Cantamos Beyoncé e paramos no píer por alguns segundos – vocês sabiam que o mar é lindo à noite?

Não bastava isso, sexta-feira os Estados Unidos anunciaram a legislação federal que aprova o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os 50 estados do país. I mean #LoveWins, bitches! Motivo pela qual devemos comemorar, sim. Mesmo que não seja um benefício para a minha orientação sexual, mesmo que tenha acontecido em outro país. É um benefício para a minha alma que fica contente pela conquista dos EUA, e pelo sinal de esperança para o resto do mundo, em prol da felicidade das pessoas que amam outras pessoas, independente do gênero. Entre todas as postagens no Facebook que surgiram naquele dia, minha amiga escreveu: “Fui perguntada se não tenho medo de ter um filho gay defendendo tanto e rodeada de amigos homossexuais. Tenho amigos que amo. Se meu filho for igual aos meus amigos, serei uma mãe cheia de orgulho.” E para mim foi a melhor postagem do dia. Não defendo os direitos LGBT porque sou lésbica, tampouco tenho medo de ter um filho gay. Tenho medo de ter um filho intolerante, que não saiba pôr os sentimentos e os direitos humanos acima de suas diferenças, sejam elas quais forem. Aceita que dói menos. A liberdade do amor não tem preço, and I think that’s beautiful.

A sensação de êxtase durou, pois o mês continuou assim até o final. Eu fui bem na prova do curso e almocei com a minha turma, encontrei mais pessoas queridas, fiz aquisições valiosas. Ah, e sobre o balanço da checklist: fiz minhas unhas apenas uma vez, não assisti Gilmore Girls por problemas técnicos na televisão, não li como queria e não viajei. Destralhei bastante, dormi com os meus gatinhos e assisti outras séries. Não foi como o planejado, mas foi igualmente bom.

Junho, afinal, teve gosto de sorvete de cereja, limão e chocomenta. Apesar da minha desconfiança, obrigada por ter sido condescendente comigo, Junho. E pela reunião de Gilmore Girls, os dias memoráveis, as horas dormidas, as guloseimas, os ventos gelados e os dias de chuva, e a trilha sonora maravilhosa. Obrigada, e até o próximo ano. ♥


... E tem playlist!

3 de junho de 2015

Checklist de férias

Em primeiro lugar: bem vindo, junho. Você é o meu mês favorito, ao mesmo tempo em que é o mês do meu inferno astral. Seja condescendente comigo, por favor. Eu estou tentando.

Terminado esse momento de apelo ao mês na introdução, comunico com muita alegria que estou de férias do trabalho, finalmente, e pelos 30 dias seguidos. Estou tentando não pensar muito se teria feito um melhor negócio se tivesse dividido esse período, e também estou tentando não criar expectativas altas. O que na verdade, está sendo bem difícil, considerando que a última vez que tive férias eu ainda era estagiária, fazia faculdade, e me ausentei do trabalho justamente para me dedicar ao TCC em sua época mais intensa: o mês de outubro. Então tudo do que eu me lembro é do trabalho árduo e das lágrimas de sangue (o que, sem a hipérbole, significa muita produção sob pressão e noites mal dormidas). Portanto, já na semana passada comecei a criar uma checklist de coisas passíveis a se fazer nas minhas férias para aproveitá-las ao máximo. Nada entusiasmante para pessoas aventureiras, mas perfeito para a estação e para o meu jeitinho.

Destralhar: Sempre fui adepta a organização na minha vida. Desde pequena minha mãe me ensinou a zelar pelas minhas coisas, e gosto de tudo em ordem, bem conservado. Faz poucos anos que eu aderi ao estilo de vida minimalista, e desde que comecei a ler o Vida Organizada, tenho me informado mais sobre diferentes maneiras de implementar esse estilo com eficácia, tanto na vida real quanto virtualmente. Ajuda bastante que destralhar e organizar são atividades que me aliviam o estresse. Então, é mais um ponto positivo.

Fazer as unhas: "Nossa, precisa colocar isso na lista?" Precisa, pois eu não costumo fazer as unhas toda semana. Quero dizer, eu as corto a cada 15 dias e lixo toda semana para mantê-las curtinhas e no formato, mas não é sempre que passa disso. Já fui menina das garras grandes e bem pintadas de vinho metálico, mas desde que comecei a usar lentes de contato, tive de abandonar essa característica. O que acabou não sendo ruim, uma vez que eu não corro mais o risco de me machucar sem querer, e as unhas curtas são delicadinhas e facilitam a higiene. Agora, falta fazer o serviço completo, com cutículas aparadas e esmalte.

Maratona anual de Gilmore Girls: É, de novo. Dia 6/06 fará um ano que eu comprei a minha caixa de Gilmore Girls, e ter aqueles DVDs em mãos me fez tomar a decisão de fazer uma maratona por ano. Não é algo que demande muito de mim, já que preciso de mais esforço para parar de assistir do que o contrário. Falei mil vezes, e repito mais uma, se for realmente necessário: Gilmore Girls se tornou o meu seriado favorito o assisti pela primeira vez. Minha identificação com as conquistas e os dramas de Lorelai e Rory Gilmore é tanta, que uma certeza na minha vida é que toda vez que eu assistir aos episódios, vou ver os acontecimentos pelos quais elas passam com outra perspectiva, o que acaba me ajudando bastante quando chega minha vez. Além disso, Stars Hollow é uma cidade acolhedora para onde a gente sempre sente vontade de retornar.

Ler extensivamente: Na época do Ensino Médio eu aproveitava o tempo ocioso das férias de inverno para ler como se não houvesse amanhã. Eu conseguia, sem dificuldades, fechar o mês com 10 livros lidos - o que é mais do que eu li esse ano inteiro. E eu adorava aquelas tardes em que as horas passavam e era só eu e o livro, o livro e eu. Não pretendo voltar a ser o que era antes e engolir tantos livros de uma vez, até porque, alguns são bem grossos, são para serem absorvidos com calma. O que pretendo é dedicar um tempo exclusivo para a leitura, para ver se retomo a frequência de antes gradualmente, e claro, para curtir uma boa história!

(Re)assistir as minisséries baseadas nos romances de Jane Austen: O tempo passa muito rápido. E, às vezes, só me dou conta quando vejo a poeira acumulada nos móveis: parar para limpar essa poeira é redescobrir tudo o que eu possuo e ver quanto tempo se passou desde que eu as adquiri. Ontem mesmo eu limpei minha estante, e demorei a aceitar que faz quase dois anos desde que comprei os DVDs das minisséries de Austen produzidas pela BBC. São quatro minisséries e acho que só cheguei a assistir duas delas: Pride & Prejudice (1995) e Emma (2009). Então, está na hora de fazer uma maratona e reviver todas essas histórias maravilhosas. As outras duas são Sense & Sensibility e Persuasion.

Viajar para o Rio, talvez: o item mais incerto é esse. Minha madrinha mora no Rio de Janeiro e não a vejo desde que eu tinha nove anos. Estou lhe devendo uma visita. Até agora não fui, porque meus pais não me deixavam viajar sozinha, e eles não estavam dispostos a ir comigo. Depois, os estudos começaram a demandar foco para os objetivos (lê-se “vestibular”), e depois foi a vez do trabalho barrar a flexibilidade da agenda. Esse mês é propício, porque além de eu ter tempo, não estamos na alta temporada, o que torna tudo mais econômico. Vamos ver.

Assistir alguns filmes dessa lista: fiz essa lista no ano passado com a Tai e uma amiga dela, com base no catálogo que o Netflix disponibilizou na época. Cada uma escolheu 10 filmes para assistirmos juntas alternadamente toda sexta-feira, mas acabamos abandonando esse projeto umas três semanas depois por incompatibilidade de horários. Pretendo assistir agora àqueles que cresceram no meu interesse desde então, independente de terem sido escolha minha ou delas. Se algum dia retomarmos essa lista não será problema algum revê-los, creio eu.

Um dia eu hei de descrever uma simples com menos de 900 palavras. Mas esse dia não é hoje. Estou um pouco entusiasmada, eu acho. O terceiro dia do mês está quase terminando e eu ainda tenho muitos a preencher, distribuindo esses sete itens. Boa sorte para mim. :)

E, curiosidade, o que vocês costumam fazer nas férias?